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GRUPO C – SAÚDE

Agente Indígena de Saúde

As nossas atividades foram desenvolvidas ao longo do período de 1985 a 2003. Muitas batalhas foram enfrentadas, até chegar ao ponto em que estamos: lutando sempre com o nosso povo para melhorar as condições de vida das famílias Huni kuin do Rio Yuraia. De 1985 até 1988 recebemos treinamento através do CPI/AC. Após o treinamento fomos contratados pelo estado. Com o conhecimento que obtivemos, atendemos as nossas comunidades. Com o crescimento da população, os três agentes de saúdes não foram suficientes para atender a demanda e foi preciso aumentar seu número. Para isso, tivemos apoio do convênio UNI/FUNASA quando foram treinados mais 23 agentes de saúde.

A nossa comunidade sempre teve dificuldades em receber atendimento médico, por conta das grandes distâncias da região, falta de comunicação e transporte rápidos. Além disso, muitas vezes, faltam recursos e apoio das autoridades para o nosso trabalho. Com o apoio da UNI/FUNASA tivemos condições de trabalhar em nossas comunidades, atendendo os doentes em suas casas. Gostaríamos de apoio para a construção de uma casa de atendimento com comunicação por radiofonia. Também precisamos de apoio para o transporte e medicamentos básicos. Seria importante ter visitas freqüentes de uma equipe técnica. Com alguma dificuldade foram contratados 2 enfermeiros, duas auxiliares de enfermagem e um dentista, mas, ainda faltam muitas coisas para serem   cumpridas. Estivemos reunidos com todos os agentes de saúde para definir nosso programa, entre os dias   22 a 23 de agosto de 2003, na aldeia Três Fazendas do Rio Jordão. Contamos com a participação de 58 pessoas, entre autoridades competentes das Três Terras Indígenas do Alto, Baixo Jordão e Seringal Independência, lideranças, professores, agente de saúde, agentes agroflorestais, seguranças, mulheres e pajés. Foi elaborada uma proposta conjunta para fortalecimento de nossas atividades. Nesse ponto, os agentes de saúde pedem o apoio efetivo do Governo do Estado, na área de saúde, para o transporte de remoção de pacientes para o posto central do município do Jordão. Gostaríamos de obter um conhecimento profundo sobre a saúde, sem deixar a nossa medicina tradicional. Precisamos de mais agentes de saúde e incremento de nossos vencimentos. Hoje a maioria trabalha com contratos provisórios. Precisamos de mais reconhecimento. A medicina tradicional também deve fazer parte da nossa formação. Temos que possuir dois conhecimentos: a medicina do índio, em primeiro lugar, e a medicina do branco, em segundo. Ainda temos 12 pajés vivos e trabalhando. Para nosso trabalho conjunto com pajés ter bons resultados precisamos de casas de atendimento básico, em ponto principais, com tecnologia instalada, como computador, impressora e material necessário. Em resumo, nossas reivindicações são:

                            

•  Capacitação do Agente Indígena de Saúde e Agente Indígena de Saneamento na biomedicina e na medicina tradicional.

•  Treinamento duas vezes ao ano, com formação básica de cinco anos.

•  Participação de vinte e dois agentes de saúde, das comunidades Huni Kuin do Jordão, em todos os futuros cursos. Os pajés poderiam dar cursos para os agentes de saúde, na língua. A medicina tradicional deve ser respeitada e utilizada primeiramente, nos tratamentos. Quando necessário, entra o conhecimento biomédico.

•  A contrapartida da comunidade é o transporte, o combustível e parte da alimentação dos cursos.

Equipe de Saúde  

•  A equipe de saúde deve juntar pajé, parteira, agente de saúde e a equipe da Funasa. O pessoal técnico pode passar mais tempo nas aldeias e em área, aprendendo com os pajés e os moradores/moradoras.

•  A equipe biomédica deve estar sempre acompanhada de um especialista local. Atendimento conjunto entre médicos e pajés.

•  Remédio gratuito e atendimento sem discriminação nos hospitais públicos.

•  Curso de pajelança e de sistema local de saúde para a equipe técnica do DESEI/Funasa.

•  Pesquisa com os especialistas da aldeia, pajés e antigos.

•  Contrato de trabalho fixo com a equipe técnica, por dois anos, sem sair daquela região.

Convênio Uni/Funasa e Conselhos Municipais de Saúde

•  A construção de banheiros, fossas sépticas e chafarizes devem ter seu projeto e planta arquitetônica, estudado e aprovado pela comunidade.

•  Incentivo e supervisão das Comissões Municipais de Saúde.

•  Farmácias municipais funcionando.

•  Atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) sem discriminação.

•  Revisão do modelo de Distrito Especial Sanitário Indígena (DSEI)

•  Três postos de saúde para as aldeias: Novo Segredo, Boa Esperança e Independência.

•  Abastecimento dos Postos de Saúde.

•  Posto de Saúde na aldeia central, Três Fazendas, com equipamento completo para atender os pacientes, material de laboratório, material de exame de malária e medicamentos básicos.

Saneamento básico

•  22 poços artesianos.

•  233 privadas com fossa séptica.

•  233 filtros de água.

GRUPO C - SAÚDE

Material de consumo

Reivindicação

Custo unitário (em reais)

Custo total (em reais)

Máquina fotográfica

250

250

50 filmes fotográficos

12

600

20 fitas de vídeo DVC

50

1000

22 barcos de 500 quilos

500

11.000

22 motores 12 HP

3.500

77.000

Uma voadeira motorizada

6.500

6.500

Carro Toyota

60.000

TOTAL

 

156. 350

 

 

 

Saneamento básico

Reivindicação

Custo unitário (em reais)

Custo total (em reais)

22 poços artesianos

2. 500

55.000

233 privadas com fossa séptica

500

116.500

233 filtros de água

35

8.155

 

Soma total     

179. 655